Aprendendo com os cachorros

Percepção corporal

maio 8, 2017 1:56 pm Publicado por Deixe um comentário

OU… O que podemos aprender com os cães

Olá pessoal, tudo bem? Hoje decidi escrever sobre um tema que envolve cães e seres humanos. Esse canal trata não apenas de cachorros, mas fundamentalmente da relação entre eles e nós. Numa sociedade interespécie, nada melhor do que tratarmos de um assunto sobre o qual, parece-me, se regredimos à pré-história, os animais ditos irracionais são pós-graduados. Então, por que não aprendermos com eles?

O mundo humano racional é caracterizado também pelos tipos de inteligência. Hoje virou moda falarmos de inteligência emocional, artificial, espiritual, sei lá mais o que “al”. Então decidi refletir sobre inteligência corporal. Claro, não quero entro no mérito das ciências absolutamente necessárias à saúde humana e animal, como a medicina e medicina veterinária, até porque não sou médico. Talvez, até em função dessas ciências, em vez de inteligência corporal, possamos usar o termo percepção corporal. Por percepção corporal, entenda-se a capacidade de perceber e agir sobre os sinais que o corpo físico nos dá.

É comum vermos pessoas debilitadas física e mentalmente. O dia a dia nos consome e desgasta. E percebemos esse desgaste quando ficamos doentes. Se vamos a um médico, ouvimos frequentemente sobre a importância dos exercícios. Além de aliviar o stress, os exercícios preparam e fortalecem o corpo. O próximo passo: matrícula em alguma academia de ginástica. Ou começar a correr, nadar, etc.

Começamos as atividades físicas. O corpo, carente uma vida de exercícios, lança substâncias que fazem bem. A disposição aumenta, ficamos empolgados e a mente pede mais exercícios. Além disso, gordurinhas começam a dar lugar aos músculos, acariciando nossa vaidade. Vaidade e mente se unem em torno de um objetivo comum: vou virar um esportista, quem sabe um atleta olímpico, aos que mais devaneiam? Essa obsessão dura, aproximadamente, um ou dois meses. Nosso organismo, estrutura biologicamente inteligentíssima, percebe a fadiga muscular e para de enviar substâncias que  incentivam a trabalhar a carcaça. Como resultado, o projeto Atleta Olímpico tem a duração aproximada de um vôo de galinha. Desmotivados, voltamos ao pastel com cerveja.

Mas o como os cães podem nos ajudar nesse sentido? Bem, não conheço nenhuma literatura a respeito da percepção corporal dos cães (se alguém conhecer, por favor se pronuncie. Seria bem bacana estudarmos mais sobre o assunto). Mas observando o dia a dia da nossa creche para cães, percebemos algumas coisas.

Primeiro: a experiência ajuda os cães a determinarem o limite das suas atividades físicas. Até um ano, mais ou menos, os pequenos correm demais. E, quando exageram, podem apresentar algum tipo de sintoma de fadiga. Quando adultos, os cães continuam brincando, mas respeitam os sinais que seu corpo lhes dá. Assim, brincam, param quando cansam, bebem água, dormem e voltam a brincar.

Segundo: os exercícios, ao menos aqui na nossa creche para cães, envolvem atividades lúdicas. Ao contrário de nós, seres humanos, que muitas vezes nos forçamos às atividades, os cães se exercitam brincando. Seja correndo atrás dos amigos, ou atrás de bolinhas ou brinquedinhos. As atividades se tornam mais leves e prazerosas.

Terceiro: os cães, assim como nós, também tem preguiça. Especialmente aqueles que ficam em casa e dividem a batata frita com os amigos humanos, sentados no sofá da sala. Mas quando começam alguma atividade, reconhecem seu limite. E param. Assim, se você decide passear com seu cachorro, respeite quando ele para. Vá com calma, ele não tem a vaidade de que precisa ficar em forma. Apenas sente os benefícios do passeio em volta do quarteirão.

E tem mais: não é porque você decidiu ser um atleta que seu amigo canino tem de acompanhar. Nesses casos, certamente seu cachorro pode te mostrar o limite, se você souber observar. Basta se perguntar por que ele vem te lamber quando você chega com o joelho inchado depois de uma corrida. Fico imaginando o que pensa um cachorro quando vê o tutor nesse estado: “Puxa, pra que ele corre tanto? Parece eu correndo atrás do rabo! E se ele quiser me levar junto? Melhor lamber seu rosto , dar um pouco de carinho. Quem sabe ele se acalma e me deixa dormir.”

É isso por hoje, pessoal!

Abraços e até a próxima!

Ricardo

Ossos do Ofício –Creche e Hotel para Cães

11 9.4197-7799

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Este artigo foi escrito porRicardo Assumpção

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