Cães e a voz

Os cães falam?

janeiro 26, 2017 3:26 pm Publicado por Deixe um comentário

Você chega em casa e seu cachorro late de alegria? E quando ele está com fome? Aí o quarteirão todo ouve o barulho, até que o pote de comida esteja cheio e disponível para ser devorado. Mas será que realmente entendemos o latido de nossos amigos peludos?

A página 124 do livro “Seu cachorro é um gênio!”, de Brian Hare e Vanessa Woods – recomendo!!! – mostra um experimento em que pesquisadores apresentam uma série de latidos a um grupo de pessoas. A maioria conseguiu identificar se o cão estava brincando, sozinho, sendo agressivo ou era abordado por outra pessoa.

O interessante é que, se podemos entender o que os cães dizem – ou ao menos boa parte – os cães parecem entender se os ouvimos ou não. Se você, como eu, já caiu na desgraça de dar um brinquedo que apita ao ser abocanhado, provavelmente pediu para o seu cão parar de brincar. Ao fazer isso, já com meu ouvido inchado, eu disse a ele “Não”. Minutos depois, estranhei o silêncio na casa e vi meu amigo de quatro patas interagindo novamente com o apito ambulante em forma de sapo, mas num quarto distante, onde não pudesse ser notado.

De fato, embora ainda se tenha muito a estudar sobre o comportamento vocal dos cães, sabemos que suas cordas vocais são plásticas. Por isso, são capazes de “…alterar sutilmente as vozes para produzir uma ampla variedade de diferentes sons que podem ter diferentes significados. Os cães podem até mesmo alterar as vozes de um modo que seja claro para outros cães e não para humanos…” (pag. 123 do livro citado no segundo parágrafo).

Não é de se estranhar compreendermos tão bem o significado dos latidos dos cães. Ambos somos mamíferos que convivemos, enquanto espécie, há pelo menos trinta mil anos. Mas a comunicação vocal não se resume a latidos. Ao que tudo indica, rosnados também são parte importante e reconhecíveis, tanto entre cães e humanos quanto entre os próprios cães. Em outra experiência citada no livro, pesquisadores registraram “rosnados de comida” e “rosnados para estranhos”. Posteriormente apresentaram esses rosnados para cães que se aproximavam de um osso suculento. Eles hesitavam mais em se aproximar do osso quando ouviam o “rosnado de comida” do que o “rosnado para estranhos”.

Isso mostra que, independentemente do tipo do som vocálico emitido – latido, rosnado, chiado, etc… – os cães entendem muito bem o que querem comunicar, para quem e a que distância está o destinatário. Aqui na nossa creche para cães, notei algo interessante: como os cães já convivem há algum tempo e se veem ao menos duas vezes por semana, passando o dia juntos, a quantidade de latidos diminuiu bastante. E, quando os ouvimos, são mais baixos do que quando o grupo ainda não era coeso.

Não quero tirar conclusões precipitadas, atribuído isso apenas à redução de ansiedade, conhecimento do outro cão, cansaço pelas brincadeiras e matilha formada, por exemplo. Certamente esses são fatores importantes, mas não os únicos. Acho que cabe aqui uma pesquisa mais aprofundada. Mas o fato é que, hoje, quando um cão novo chega, ele late consideravelmente menos do que anos atrás, ao iniciamos o trabalho da creche. A adaptação ao local também é mais rápida. Um sinal dessa adaptação é a substituição gradativa da comunicação vocálica por gestual, como cheirar e tocar o amigo.

O tema é interessante. Se quiserem saber mais, o livro “Seu cachorro é um Gênio”, de Brian Hare e Vanessa Woods, está disponível em português e pode ser comprado nas principais livrarias.

Abraços a todos e até a próxima!

Ricardo

Ossos do Ofício – Creche e Hotel para Cães

11 9.4197-7799

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Este artigo foi escrito porRicardo Assumpção

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